Ser ou não ser, eis a questão!
Meus amigos, antes de iniciar a crônica desta semana, não poderia deixar de falar da Páscoa. Para mim é uma data até mais bonita que o Natal, pois simboliza o renascer.
Nós seres humanos, temos esta capacidade de renascer a cada dia. O renascer nos conduz a um novo início, a novos planos, novos sonhos, novas realizações.
No mundo corporativo, este renascer é também importante. A capacidade de se reinventar é necessário para a sobrevivência na máquina empresarial.
A cada estratégia ou a cada modelo de gestão temos que nos adaptar. Agora além da adaptação, temos que nos reinventar. Temos que descobrir um novo EU, uma nova habilidade, uma nova especialização, um novo perfil.
Hoje lendo o Jornal O Globo, no caderno Boa Chance, li mais uma de tantas matérias de Consultorias de RH falando dos perfis corporativos. Generalista ou Especialista?
Quando li a matéria, eu até ri um pouco. Parecia a nova tendência outono, inverno da moda.
Na época em que eu me formei na faculdade, o mercado buscava por profissionais especialistas. Era a época de vender os cursos de Pós-Graduação. Ainda não muito conhecidos ou tão na moda no Brasil. Minha geração toda fez as famosas Pós, que depois se americanizaram e transformaram em MBAs. Ter o nível superior somente não adiantava mais para as empresas.
O discurso de todos, bonito de um mundo globalizado, com transações internacionais, tudo a uma velocidade on time exigia que o profissional se especializasse. Estudar uma área profundamente, ter habilidades específicas era o bola da vez.
O generalista nesta época coitado, estava sem foco. Precisava se especializar, pois que faz de tudo um pouco, ou tem habilidade para atuar em qualquer hora dando resultados, não agregava mais tanto valor, porque na verdade que faz de tudo um pouco, não faz nada, na visão empresarial.
Pois é o generalista, fazia tanto tudo, que não adiantava. Ele não era mais valorizado, ou visto, ou indicado para alguma posição. A empresa buscava profissionais especialistas.
Até hoje carregamos este fardo. Vejam o nome dos nossos cargos. A área de Informática foi a que mais se adaptou ao perfil especialista. Quem não conhece um Especialista em BI, ou em Banco de Dados, ou em Aplicação? Todos nós conhecemos.
Duas décadas se passaram. O mercado criou o novo modelo de profissional. Todos nós escolhemos nossas castas e nos especializamos. Não tivemos opção de não ser especialistas. Cursos e mais cursos surgiram. As universidades ampliaram suas áreas em especializações. Não era mais somente a Medicina que tinha especialização. Hoje não somos mais Engenheiros somente, somos Engenheiros de Produtos, de Petróleo, de Aviação, Processos, Produção. A Administração, outra área que preparava o profissional para ser um Generalista também mudou. Criaram-se a ênfase, que especializou o curso em Administração com ênfase em Marketing, ou em Finanças, ou em RH, ou em Comércio Exterior... ou o raio que o parta...
O mundo Corporativo se especializou.
Agora o Generalista, será que sobreviveu algum?
Alguns se adaptaram, se reiventaram e transformaram-se em especialistas. Outros partiram para carreiras Empreendedoras, afinal ser generalista poderia ser sinônimo de empreendedorismo, afinal tocar um negócio próprio, exige habilidades de um perfil Generalista ( um self made man)
Pois bem, chegamos a 2011. As empresas precisam criar Líderes Organizacionais ( CIO, CFO, CEO, etc...), mas sendo somente Especialistas, é impossível. Gerir uma organização é algo maior, que precisa de uma visão estratégica. Ter a habilidade e visão fim a fim. Capacidade de atuar e tomar decisão de diversas áreas. Não é tão simples. Somente Perfil com uma visão maior... mais um pouco... talvez, GENERALISTA seja a saída.
Não sei se rio ou choro, afinal de contas, em duas décadas as organizações e o movimentos mercadológico quase extinguiu este pefil.
Sim, o retorno do Generalista está entrando na moda de novo.
Talvez porque queiram lançar algum novo produto ou modelo acadêmico, ou seja matéria paga para criar tendências,.. ou porque perceberam que uma organização precisa de vários perfis diferentes, assim como a vida é?
O admirável mundo novo tentará criar um a nova Casta - A Generalista. Assim a demanda aumentará por este perfil. Pessoas especialistas correrão atrás para se reinventar novamente e se Generalizar o mais rápido possível.
Ser ou não ser, eis a questão. Ser Especialista ou Generalista? O que afinal as empresas querem? Será que elas sabem?
Qual perfil dará o cargo ou o reconhecimento mais rápido, surgirão rapidamente oportunistas para se apresentarem como o super perfil.
Este profissional está errado? Está se aproveitando do movimento ou se adaptando?
Ehhhh ... mundo Corporativo... Movimenta-se de acordo com necessidades!
Acho que Shakespere vislumbrou o mundo que viria mesmo estando no século XVI. As incertezas e indecisões. As dúvidas filosofais que permeavam seriam as mesmas que vivemos no seculo XXI? Será que no século XVI e XVII ele imaginou que após tantos acontecimentos, revolução industrial, capitalismo, globalização ainda teríamos tantas dúvidas conjunturais?
Comparo o Mundo Corporativo a uma peça teatral vivida intensamente e diariamente. Somos artistas deste mundo. O que seremos, que perfil teremos? Ser ou não ser, eis a questão!
E desde que nos prendam tais cogitações.
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.
Yeda Brandi